quinta-feira, 28 de abril de 2011

II «Pedala todos os dias. Festeja uma vez por mês.» *

* É o lema da Massa Crítica e serve bem de título ao espécie-de-foto-post que agora elaboro.

Amanhã é dia de Massa Crítica e, a partir mais ou menos das 19hs, Lisboa encher-se-á de bicicletas desde o Marquês de Pombal, sabe-se lá até onde!

Tirando as últimas sextas-feiras do mês, andar de bicicleta em Lisboa ainda é uma actividade muito solitária. Enquanto de carro somos bem capazes de apanhar fila logo desde a porta da garagem e todo o percurso, sabe-se lá até onde!, indo de bicicleta o mais provável é seguir-se sempre só... mas nunca triste ou amargurado.

Segue-se mais uma "catrefada" de fotografias disparadas na cidade, atingindo, assim sem pedir licença, todo o tipo de bicicletas e, por vezes, os seus "pedaladores".













Fotografias: MMM e GRS -- Clicar para aumentar --



quinta-feira, 14 de abril de 2011

Bike Buddy pela MUBi em Lisboa



Imagine que quer começar a andar de bicicleta em Lisboa e não sabe como.

Há utilizadores experientes de bicicleta em contexto urbano, que estão dispostos a ajudá-la(o).

É isso mesmo que são os Bike Buddies, uma iniciativa da MUBi - Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta.


Há um espírito natural de entre-ajuda e solidariedade entre os ciclistas em geral e entre os utilizadores urbanos em particular. É muito provável que outro ciclista se ofereça para ajudar alguém que, por algum motivo, se encontre apeado na estrada a tentar resolver algum problema na sua bicicleta. Essa entre-ajuda não aparece só nos problemas mecânicos, é igualmente natural que, sendo oportuno, os ciclistas na cidade se agrupem para, juntos, enfrentar o trânsito rodoviário. Não é difícil encontrar em qualquer utilizador diário da bicicleta como transporte urbano, uma vontade "inata" de partilhar os conhecimentos adquiridos na experiência, sabendo que essa é, de resto, uma forma de rever e estruturar a sua própria condução e de aumentar o número de bicicletas a rolar nas ruas.

Assim, a atitude, agora oficializada no projecto de mentorado Bike Buddy, aparece naturalmente entre os utilizadores de bicicletas, acrescendo ser possível a um novo utilizador requerer, desde o dia 1 de Abril, esse aconselhamento e acompanhamento nas suas primeiras deslocações em contexto urbano, de forma estruturada e comprometida.

Os "buddies" são sócios da MUBi que acompanham, de forma voluntária e gratuita, novos utilizadores nas suas primeiras experiências de bicicleta pela cidade, partilhando a sua experiência, aconselhando novos utilizadores de bicicletas quanto a rotas, equipamento, segurança, legislação, atalhos e truques que permitam facilitar a deslocação de bicicleta pela cidade.

Imagem: Bike Buddy @ MUBi

quinta-feira, 17 de março de 2011

re-food


Hoje encontrei esta bicicleta para carga numa rua de Lisboa e, quando parei para fotografá-la, o dono interpelou-me e acabámos por conversar sobre o porquê da coisa.

Tratava-se de um voluntário (por ventura o mentor) do projecto re-food - redireccionando refeições a quem tem fome, que teve início no dia 9 de Março e que consiste na recolha de sobras de comida em restaurantes, padarias, supermercados, pastelarias, etc., na freguesia de Nossa Senhora de Fátima -- O programa Piloto está a ser implementado na Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, no coração de Lisboa, nos primeiros meses de 2011 – e vai, em breve, para as outras freguesias vizinhas.

Este projecto pretende unir esforços com o movimento Acaba com o Desperdíçio Alimentar de António Costa Pereira, de que se tem falado nos meios noticiosos. Contudo António Costa Pereira, confirmou-me que «O projecto re-food é completamente independente com o projecto para “ACABAR COM O DESPERDÍCIO ALIMENTAR”...»

O que me chamou a atenção neste projecto "re-food" foi o facto de a recolha dos alimentos ser feita em bicicleta e, por isso, procurarem voluntários que possam dispender do seu tempo e da sua bicicleta (com alguma capacidade de carga) para essa tarefa.

quarta-feira, 16 de março de 2011

De bicicleta para o emprego? Qual emprego? (parte 4) [3]

Será que a campanha de Censos 2011 fará também o retrato de quem vai habitualmente de bicicleta para o local de trabalho ou de estudo?
Sim, consta. Seja esse retrato focado ou desfocado, lá está a opção "Bicicleta" nas respostas ao questionário individual.



Mas, no que diz respeito ao emprego, parece que a lente da máquina fotográfica dos Censos está muito desfocada à partida, já que pretende, descarada e porcamente, ocultar detrás de um filtro rosado a verdadeira expressão dos chamados "falsos recibos verdes".



Quanto a mim, deparei-me com dúvidas nas respostas logo desde a entrega dos questionários à porta da habitação. Na verdade não sabia ao certo o que responder à aparentemente simples questão "Quantas pessoas residem nesta casa?". Naquele momento eramos 4, mas agora somos 3 como grande parte do tempo, mas muitas vezes é só 1, mais raramente são 2 e semestralmente podem ser 5.

Entretanto fui consultar a página de esclarecimentos dos Censos 2011, e encontrei lá uma questão que podia ter sido eu a fazer.

«46. Não tenho um local de trabalho fixo. O que devo responder na pergunta sobre as deslocações para o local de trabalho ?

As pessoas sem local de trabalho fixo ou habitual e que no inicio do período não reportam a um local de trabalho fixo, devem considerar o local onde se situa a entidade para quem trabalham. Se trabalha por conta própria sem ter local de trabalho habitual responda relativamente à última deslocação efectuada.
»

Sendo[1] assim, vou responder "Bicicleta"[2]!
_____
[1] sendo o que eu quiser responder, em verdade.
[2] para não responder "a pé", em rigor, nem "comboio", da maior distância, até porque estou chateada com a CP.
[3] parte 3 aqui.

Imagens: dos questionários dos Censos 2011.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Um dia vais achar que tens de trocar de bicicleta...

Daquele anúncio da Sumol que diz “um dia vais achar que tens de trocar de carro de 4 em 4 anos”, não sei se é essa a média dos automobilistas, mas vejo os ciclistas (não atletas) a trocar de bicicleta de 4 em 4 meses, ou porque a desgastam todos os dias, ou simplesmente porque podem e querem conduzir um modelo diferente, por ventura mais recente.

Quanto a mim, que aprendi a andar de bicicleta há 9 meses, pode dizer-se que já vou no 4º modelo mas... todas foram bicicletas de roda 20"!
À primeira - uma Esmaltina BMX antiga - com a qual me disponibilizei a aprender, seguiram-se 3 modelos de bicicletas dobráveis.

Acontece que começo a sentir necessidade de saltar para um quadro "normal" e uma roda maior, que já experimentei até à 28" de estrada, mas que ainda não utilizei com regularidade em transito.

Imagem: Sumol

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

De bicicleta para o emprego? Qual emprego? (parte 3)

Já apanhei aquele tique que, provavelmente, "atormenta" todos os bloguistas que dedicam inteira ou parcialmente os seus blogues à bicicleta como meio de transporte, e que consiste em fotografar toda a bicicleta que se encontre a rolar ou estacionada na cidade.
É um bocado ridículo, porque já persegui ciclistas na rua para os fotografar pelas costas e já andei a correr no meio das avenidas para conseguir "shottar" uma bicicleta que rolava na outra faixa.
Enfim!
Desta vez estava, por acaso à janela e vi chegar à praceta um senhor vestido com um coete refletor e levando uma bicicleta pela mão. Aproximou-se de um caixote de lixo e "estacionou". Primeiro pensei que era um distribuidor de publicidade pois parecia transportar uma resma de panfletos na grade traseira, mas quando começou a vasculhar os contentores percebi que se tratava de um "senhor que anda ao lixo". Ainda assim puxei da máquina fotográfica (do telemóvel) e disparei esta fotografia quando ele acabou de vasculhar, sem qualquer sucesso, os 6 contentores da praceta e seguiu empurrando de lado a bicicleta.



Quando eu era criança esta era uma "profissão" que abundava lá no bairro onde eu creci. Dizem que na altura o papelão e alguns metais eram vendidos ao peso e aquilo (ao kilo) rendia. Entretanto os homens (e mulheres) que andavam ao lixo deixaram de o fazer pelo papelão porque deixou de se fazer tal negócio, e a "profissão" entrou em extinção. Dessa infância ficou-me o personagem do "Manel Gigante", um homem alto e esguiu que andava ao lixo e que sempre nos trazia, a mim e aos meus irmãos, brinquedos e livros de banda desenhada, natural e visívelmente encontrados nos contentores, e que encarnava uma espécie de Pai Natal todo o ano, ainda que por vezes brincasse ao Homem do Saco!
Na praceta onde moro há dois "ecopontos" e não é raro ver pessoas ao lixo (ás vezes sou eu!), à procura de utensílios que ainda servem, de roupa, de móveis, etc.
Podia encher este texto de preconceitos, como dizer que provavelmente esta bicicleta é roubada e visivelmente o homem nem sabe andar nela, mas não é essa a reflexão que me assalta de momento. Da fraca amostra pode já adivinhar-se que, à medida que ficarmos mais pobres, aparecerão mais bicicletas na rua**. Talvez, às tantas a praceta deixe de estar "infestada" de automóveis... ainda que isso não seja um bom sinal económico. O dinheiro será sempre a melhor maneira de motivar as massas*** para o uso da bicicleta como transporte, não me venham cá com chiquisses**** e acessórios da Brooks!

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Fotografia: mmm
*:
Parte 2 aqui.
**: «um dia o pessoal que vem diáriamente para Lisboa nos cacilheiros ou nos comboios da linha de Sintra ou da Azambuja, também vai querer vir de carro (seja a que energia for e certamente não será a pedais)... se puder, e esse poder não é só económico!» in Parte 1.
***: Para todas estas abordagens é possível encontrar exemplos no
Bicicultura.
****: Nada contra a "filosofia" Cycle Chic de que sou totalmente simpatizante, tudo contra a fanfarrice (dos proprietários de veículos a motor ou a pedais).

sábado, 29 de janeiro de 2011

«Pedala todos os dias. Festeja uma vez por mês.» *

* É o lema da Massa Crítica e serve bem de título ao espécie-de-foto-post que agora elaboro.

Um dia desta semana, porque calhou, resolvi parar um bocadinho no cruzamento da Av. da República junto ao Campo Pequeno, para "contabilizar" ciclistas de todos os dias, disponibilizando-me a não ficar mais de 5 minutos para ver a mesma quantidade de bicicletas passarem por ali... onde Lisboa tem, de resto, 7 avenidas sem colinas. ;-)

Dois dias depois, foi dia de Massa Crítica. A primeira de 2011. Quantos fomos? Não sei, mas seguramente para cima de 70 bicicletas de todos os tamanhos e feitios! Choveu uma bela carga de água e ninguém arredou pedal.

Aqui vai a crónica fotográfica...

... dos que pedalam todos os dias...



... e dos que festejam uma vez por mês.
MASSA CRÍTICA LISBOA JANEIRO 2011



fotografias: mmm -- CLICAR PARA AUMENTAR